sexta-feira, 11 de março de 2011

Adeus Marcelo Barbosa

Eu (a época cabeludo) e Marcelo
Nesta sexta-feira, 11 de março de 2011, perdi um dos melhores amigos que fiz nos últimos seis anos. Recordo-me bem daquele fevereiro de 2005 quando conheci o Marcelo Fernandes, carinhosamente apelidado por mim de “Europa”.

Europa sempre “pegava um gancho” e aproveitava para falar das histórias que havia vivido na Inglaterra, onde morou por cinco anos.

Já no primeiro semestre separei uma briga dele com outro colega nosso. Resultado: os brigões foram separados e levei um soco de Marcelo na boca, na hora de separar os colegas.

Lembro nas primeiras aulas até onde ele sentou. Lembro das primeiras conversas e o do sonho que tinha após se formar. Lembro ainda das dificuldades daquele primeiro semestre, vivenciadas na pele por mim 5 semestres depois (isso é outra história).

Por conta do aperto financeiro, por muitas vezes, dezenas de vezes, Marcelo saia do bairro Brasil e se deslocava a pé até a faculdade onde estudávamos. Após certo período, consegui uma carona com o professor Marcos Longuinhos e praticamente todos os dias daquele mês abril em até o final do semestre, “Europa” ganhava uma carona de volta até próximo de sua casa.

Uma das coisas que ele repetia era: “quero deixar um risco na história, igual a muitos autores. Quero deixar um legado”.

O tempo passou. Os anos foram passando. A condição social melhorou um pouco para Marcelo, a base de muita luta. Recordo que faltando 30 dias para acabar o terceiro semestre ele sumiu do curso.

Cadê Marcelo? Todos se perguntavam. Ele havia ido trabalhar em uma empresa de cargas e só voltou quando as aulas praticamente haviam terminados. Naquele semestre ele passou apenas em uma matéria, que nós colocamos o seu nome no trabalho da terceira unidade.

De volta as aulas. Ele correu atrás do prejuízo e quase se formou com a nossa turma no final de 2009. Entretanto, por duas matérias ele teve que ficar mais um semestre na instituição. Formei e ele foi a minha formatura como meu convidado. Não ficou muito em minha mesa, quase nada, até porque disse a ele que a festa também era dele e que poderia fazer o que quiser. Dançou, pulou, curtiu e foi embora de madruga.

De lá para cá nos encontramos poucas vezes. Mas sempre que nos vimos percebia a amizade transparecer e brilhar.

Em nossa primeira aula da saudade ele estava lá. Era da turma, era um amigo. Na segunda, realizada há poucos dias até perguntei se tinham avisado a ele, mas não conseguiram. O homem mudava de número constantemente.

Fiquei sabendo, ás 16h de hoje que havia levado uma facada no sábado de carnaval, após uma discussão envolvendo dinheiro e, nesta sexta-feira, veio a falecer.

Hoje, infelizmente, foi à última vez que o vi. Bem rápido, pois cinco minutos após eu chegar ao velório o caixão foi fechado. Mas fiquei aqueles cinco minutos olhando para ele e relembrando toda a nossa amizade, os inúmeros momentos que convivemos.

Desde o primeiro semestre até as últimas vezes. Todos que acompanharam essa amizade lembram-se das caronas, dos lanches, das conversas e das músicas de Cesar Menotti e Fabiano que tocavam quando ele estava de carro.

Ficam as lembranças somente.

Adeus amigo.

Um comentário:

LANINHA disse...

É Di, vc vai falando e o filme passa em minha mente como se fosse ontem... todos os momentos, os instantes, as risadas, aquele segundo semestre da briga...as caronas... quando ele colocou um dvd no carro... esse Marcelo, sempre alegre e espirituoso, nunca demonstrou ou deixou transparecer suas dificuldades, apenas pedia... "ponha meu nome ai no trabalho"... doidinho, mas gente boa... sabendo fazer cada momento uma lembrança especial... saudades colega.