sábado, 23 de abril de 2011

Sem valor ideológico, barba de petê sai a R$ 500 mil

Noutros tempos, a barba tinha alta cotação ideológica. Servia para distinguir o esquerdistas do direitista. Enéas, uma barba de esquerda numa cara de direita, começou a desmoralizar a simbologia. Lula completou o serviço.

A barba agora não vale nada. Politicamente, ela pode situar-se à direita de Lula e à esquerda de Lula, dependendo da época. A platéia se deu conta de que, jogados num tanque d’água, as massas corpóreas de um Dirceu e um Kassab flutuam e esperneiam do mesmo jeito.

Foi contra esse pano de fundo que Jaques Wagner, o governador petê da Bahia, decidiu vender a barba. Em troca de R$ 500 mil, vai livrar-se de um revestimento facial que cultiva há 34 anos. Entregará a barba a uma logomarca famosa, a Gillette.

O dinheiro será doado ao Instituto Ayrton Senna, que converterá os pêlos nevados do governador em benemerência. Grande ideia. Depois que o PT enganchou o seu socialismo no bigode do Sarney, a barba parecia condenada à irrelevância.

A transação de Wagner com a Procter & Gamble, multinacional que fabrica a Gillette, revela que, sob a ótica capitalista do mercado, a barba é ativo valioso. Lula cobra R$ 200 mil por palestra. Sem abrir a boca, o governador baiano amealhou meio milhão –2,5 palestras do ex-soberano.

Imagine-se quanto Lula faturaria se resolvesse levar a própria barba ao balcão. Seria um grande reforço ao programa de erradicação da miséria da Dilma.
Josias de Souza - UOL

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